sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

sessão #06: SOBRE A INDECÊNCIA

Querido psiquiatra, hoje eu abri os olhos sorrindo. Assim. Sem mais.
Fiquei inconformada. O que foi que me escapou?
O céu azul, as borboletas felizes, os namorados de mãos dadas? Nunca liguei muito para nenhuma das anteriores.
Me senti indecente. O que eu faço com isso? Acho que as pessoas até me olhavam diferente na rua. "Qual é a da guria com cara de boba, que foi comprar pão com ares de propaganda de margarina?".
Não sei para quem perguntar, então fica aqui.

...




é normal?

Fiquei em dúvida, daí botei as duas.


Como  eu me sinto:

[aqui um adendo: o clipe é bem legal, vale a pena buscar no Youtube, porque o Blogger não me permitiu colocar aqui. O link: http://www.youtube.com/watch?v=Fb-3seZSQ_Q&ob=av2n ]


Como eu gostaria de me sentir:











quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

sessão #05: NEM EU MESMA ACREDITO

Faz tempo!

Estava com medo de virar cyber-louca. Comecei, toda vez que uma coisa me irritava, a querer vir pro blog. Daí lembrei daqueles turistas que passeiam por cidades estrangeiras com a câmera grudada no olho. Ao fim da viagem, acho que se você perguntar pra esses caras o que eles viram, vão ficar sem ter o que dizer e abrir pra te mostrar um álbum de setecentas e trinta e seis fotos da viagem de uma semana e meia.

Se estressar faz parte da vida moderna. Tenho uma amiga que se estressa com o trabalho, um ex-wanna-be-boyfriend que se estressava com o calor, minha irmã de cinco anos de idade se estressa com trânsito e a minha mãe se estressa com a minha irmã estressada  com o trânsito. Provavelmente esse pessoal todo só se irrita e eu estou definindo como estresse, mas o ponto é que ninguém está totalmente em paz. Eu, por exemplo, estou começando a suspeitar de que tenho algum tipo de sociopatia. Porque o número de vezes que me dá vontade de entrar aqui para xingar a humanidade vem começando a me assustar.

[Aliás, minha mais nova teoria é de que o estresse, mais que um mal da vida moderna, é um mal da vida em sociedade. E "sociedade" pode ser quando o primeiro neandertal viu o coleguinha de caverna pela primeira vez.]

E aí se toda vez eu quiser resolver meus incômodos com uma válvula de escape, assumindo que a válvula de escape de fato funcione, não vou viver plenamente a experiência de estar extremamente incomodada com algo. Começo a imaginar que, se a oportunidade se põe tantas vezes diante de mim, alguma coisa eu tenho que tirar dela.

Ou então estou só engolindo e regorgitando um discurso pseudo-cristão do sofrimento que enobrece para ser um pouco mais Poliana na vida.

Saúde!

e por falar em Poliana...




Não me julgue mal, não, amei! Quero pra mim (a ideia, as roupas e o batom vermelho)!










terça-feira, 24 de janeiro de 2012

sessão #04: DEU NO NEW YOK TIMES

Pessoas do mundo todo, fiquem atentas!

Na SPFW compareceram Val Marchiori e Ashton Kutcher. Foram para constatar, com os próprios olhos, que Alessandra Ambrósio está grávida de seu segundo filho. Gisele Bündchen não pode comparecer, pois acaba de terminar de construir seu castelo ecologicamente correto, vizinho ao de Schwarzenneger.
No mundo da crítica, todos continuam preocupados com a nova mania de Madonna, recente adepta das luvinhas de couro à la Ana Maria Braga e tule no tutu – será que elas são as mais novas amigas do mundo das rycas?
Enquanto isso, fotos de Ringo Starr e Maureen Cox pululam nos readers dos saudosos sem namorados.
Clooney é definitivamente a mais nova antiga aposta promissora de Hollywood.
E a Mulher dos Quadrigêmeos era mesmo uma mentirosa, pois ao que tudo indica, Luiza voltou.
E, muito embora a capa da Veja seja uma bela bunda, é a Geisy do vestido, que agora frequenta as academias mais badaladas do Brasil, que vai à Justiça no dia 30. E Renata não conegue passar nem mais um dia sem sexo na casa.




E vocês, mulheres de Pinheirinho, vêm acompanhando os tutoriais de como fazer o olho esfumado da novela? Porque não fica bem sair na tevê sem maquiagem, né?





quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

sessão #03: ALGUMA SUGESTÃO?

Eu gosto de cinema, mas ir ou não ao cinema vem sendo uma das decisões mais difíceis de tomar na minha vida (ainda estou de férias). Quero ver os filmes na tela gigante, som gigante, aquela coisa da imersão total. Imersão total?
Você escolhe o filme. Embora eu não tenha nenhum problema em ir sozinha, tenho também essa mania de ficar economizando filmes para ver com os amigos. Daí acabo indo muito mais nos horários que mais me dão dor-de-cabeça, tipo hora do rush, que são os que meus amigos operários conseguem frequentar – e me arrependo.
Voltando... Você escolhe o filme. Você não gosta de bilheteria, então compra pela internet. Aparecem todas aquelas poltroninhas verdes e começa aquele mapa mental de qual o melhor ângulo e qual a maior chance de sentar sem ninguém por perto. Eu não era sociopata desse jeito, mas com o tempo, de duas, uma: ou eu comecei a ficar mas sensível, ou aumentou muito o número de idiotas no mundo. Estou mais para a segunda hipótese. Quando digo "no mundo", é porque achava que a imbecilidade social era especialidade brasileira, mas esse fim de semana tudo mudou.
Meu amigo me liga perguntando se não quero ir à pré-estréia de TinTin. É legendado, então criancinhas histéricas estão fora de vista. A gente faz toda a operação supracitada e vai direto pra sala.
Começam os trailers. A sala já está quase cheia, e tem até muitas crianças, mas zero de barulho. Por dentro, estou gargalhando de orgulho e alegria. Pelo menos até chegar o inglês. O inglês com três filhos em escadinha de três a oito anos e sua mãe idosa. E eis que o inglês começa a gritar, junto com a prole e a progenitora, já que aparentemente nenhum deles escuta direito.
Qual a grande importância de ele ser inglês? Tenho essa impressão muito forte de que na nossa terra a noção de sociedade é mitigada. A gente está muito imbuído dos restos da cultura capitalista que cabem aos subdesenvolvidos em desenvolvimento (lembra que aqui ainda rola miséria?), não tem nem tem do que ter muito orgulho , não tem a melhor política educacional nem da América do Sul, não tem, em suma (e em geral) noção quase nenhuma do que está fazendo no mundo além de existir (que se resume basicamente a comer, defecar e satisfazer prazeres pessoais). Então pisar no coleguinha pra chegar mais perto do palco num show, é bem ok, não tenho nada com ele, não. Botar o pé na cabeça da mocinha sentada na fila da frente no teatro, ok também. Sair do boteco num bairro residencial às 3h da manhã (ou dar festinha no apê, com a turminha toda reunida) gritando feito porco na lama, sussa. Eu tenho uns ímpetos de andar com ovo podre na bolsa só para usar nessas ocasiões – mas, é, não é assim que resolve, né?
Então um belo dia a Amanda vai visitar Londres e o mundo pára. Ela sai para passear de madrugada, vê um pessoal saindo da balada e não tem um piu. Tem inclusive aquelas placas que de vez enquando a gente vê em São Paulo, do gênero "respeite a vizinhança", bem na porta dos estabelecimentos. E quando alguém não respeita, vem um outro alguém dar pito. Daí ela pensa "por que na minha terra, onde os dias não cinzas e o frio é mais ameno, os bêbados também não jogam as latinhas de cerveja meticulosamente dentro das lixeiras na rua?" e vem aquela imagem dela mesma, tediosamente sóbria carregando o saquinho de cocô do cão quadras a fio até encontrar uma lixeira semi-quebrada para depositá-lo. Quem se importa? Ninguém se importa, logo, ninguém põe lixeiras e se não tem lixeiras, as pessoas não vão saber do que sentir falta – e a ciranda continua rodando repetitiva e tão sóbria quanto eu.
Embora a minha experiência no país do cara mal-educado se resuma a uma cidade e seis dias, eu tenho essa sensação muito forte de que nas salinhas escuras de lá ele teria ficado de boca fechada. Na minha salinha escura, ninguém se incomodou, porque já é tão normal!
Daí muitos dias depois, remoendo a ideia, eu sento emburrada na frente do meu computador com uma única certeza: não fiz nem saberia fazer nada a respeito, fora reclamar. Reclamei pro bloody bastard, que convenientemente ignorou, como várias pessoas ignoram quando reclamo do cocô dos cachorros delas na rua, ou da bituca do cigarro, mesmo. Porque, na verdade, sou eu que sou mal-humorada, não é? Somos nós, os reclamões, as exceções, que estamos fora de contexto.
...
né?
...
Ou será que quando o cocô é na porta do cara que faz barulho na hora errada, ele também protesta?

E ainda por cima não gostei do filme.



sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

sessão #02: SHAMPOOS NOS SPOTS

Ia começar a escrever um texto sobre o fato de ter ficado órfã do meu spot preferido para sentar e bundar em São Paulo, mas daí me senti acuada. Não sei de onde surgiu todo esse desvelo (possivelmente de ter lido meus primeiros posts e lidado com a minha própria imagem, vai dizer o terapeutazinho no meu cérebro), mas rolou uma mini-vergonha de escrever "spot".
Deve ser o excesso de séries estrangeiras e músicas da iTunes americana, mas é fato que a palavra "lugar" já não sai mais tão fluentemente da minha boca (ou dedos). Parece menos eloquente, mais sem-graça, sei lá! PEDANNNNNNNTE! A amiga do shampoo (olha lá de novo - se bem que "shampoo" é um outro caso sobre o qual eu escrevo mais adiante, mas já aviso que aqui, pra mim, pedantismo é "xampú", a não ser que você seja o Millôr, que é tipo Deus e nunca pode ser criticado na minha frente) me disse uma vez que eu às vezes soo pedante. Tá na hora de eu começar a repensar as minhas amizades, talvez (brinks, Bianca, sei que no fundo você me ama). Mas é que ouvir demais aquela palavra significando exatamente o que você que dizer te leva a deixá-la escapar sem querer quando você quer dizer aquilo, ainda que ela pareça fora do contexto linguístico dela.
Fico lembrando de todos aqueles movimentos anti e a favor de estrangeirismos que a gente estuda no colégio. Uma época o must (agora foi irônico) era falar em francês com a patota, pra mostrar que você tinha dinheiro para ir para a França e acompanhar as tendências do momento. [Cai o primeiro post como uma bigorna na minha cabeça. Tenho que me defender; estou aprendendo francês porque curto falar e quanto mais eu conseguir facilitar a minha comunicabilidade melhor - para mim, pelo menos]. O paralelo é inevitável. Será que eu sou uma garota tentando ser cool? Mas eu nem uso fones de ouvido gigantes na rua e meu corte de cabelo está londe ser mudérrrrno [hoje estou caótica; não tenho nada contra os fones grandes quando eles servem para trazer à tona o melhor do anti-social-quero-ouvir-música-não-enche-o-saco de cada um]. Depreende-se que... eu quero ser néo-cool?
Todo mundo quer ser aceito, e se encaixar de algum jeito, ainda que eu creia que meu encaixe, por princípio, está no desencaixe, mas eu não sinto que as palavras em outras línguas que eu boto sem querer no meio das frases sejam eu querendo ser menos Bleeker – ou mais, não sei se o Bleeker tá em alta agora. Também nunca me achei uma pessoa com pouco vocabulário. É isso mesmo; só me parece que as palavras às vezes soam mais eloquentes em outra língua, mais ou menos como a diferença de quando você está muito puto e grita "cocô", ou muito puto e grita "merda". "Merda" tem direito até a exclamação. Eu não vou sair gritando "shit", porque "merda"já cumpre muito bem essa função, mas na hora de falar "spot"... talvez eu seja uma colonizada cultural.
Ainda assim, o "spot" não é para mim só um ponto da cidade, muito menos um lugar. Parece que "lugar" é muito vago e "ponto" específico demais. O "spot" é o meu ponto, aquele gostosinho, que vem substantivado com todo o carinho que eu tenho por ele. Ou pelo menos era, porque agora que o garoto do sanduíche [ó eu sendo incoerente com o meu "shampoo"] com quadrinhos tomou as rédeas [do meu banco], vou ter que me contentar com outro "ponto" qualquer.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sessão #01, aquela que parece infinita

Querido(a) terapeuta, estou de férias. Ainda há tempo para me apaixonar.


sessão #01, parte 02: TEXTO DE MENINA


Não sei muito bem o que quero da vida. Estou sem emprego e meio de saco cheio da faculdade, não tenho namorado, não tenho peguete, não tenho nem um crush. A parte do sem emprego já leva a um subentendido, mas como por enquanto ninguém lê meu blog, vou ampliar minha expectativa de público e deixar as coisas mais mastigadinhas: não tenho muita grana também. 
Ok, acho que já cumpri, nos interesses da sociedade Ocidental capitalista, todos os itens da checklist que me levam à categoria "loser".
[Antes que alguém se irrite com o mar de lágrimas, quero lembrar que isso aqui continua sendo um substituto da terapia para mim.]
O que realmente me incomoda, o que não consigo espantar dos meus pensamentos obsessivos, contudo, é o frizz. Eu não posso com frizz. Fico vendo aqueles filmes franceses, umas fotos de moda, e as francesas se dão bem com ele. No meu imaginário, francesas são aquelas que saem de casa com um pra um de fiozinhos desgrenhados e um grande "i don't care" na testa –só que em francês – e continuam lindas.
Meu problema com o frizz, em suma, é que eu não deveria ter problemas com o frizz. Na verdade, o frizz sempre foi uma grande lenda para mim, até que uma amiga me disse que eu tinha que começar a ler as embalagens dos shampoos que comprava quando ia à farmácia (possivelmente um jeitinho educado de dizer que meu cabelo estava um cocôzinho).
Desde então, cheguei à conclusão de que o frizz é o grande mal do mundo capitalista. Ou melhor, a aversão a ele. 
Pensando como o terapeuta com quem eu não estaria falando sobre isso, uma vez que a hidratação viria antes da terapia no meu top 5 needs (sou vazia e superficial), eu diria que estou com um sério problema de imagem, que pode muito bem estar agregado às questões enumeradas antes do frizz. 
Mas daí fico pensando (e então começa o problema...). Se eu que sempre fui moleque de tudo cheguei nesse ponto, que se diz do resto do mundo? O problema não é o frizz, nem o emprego, nem a ausência do crush. O problema é a checklist. Eu odeio a checklist, odeio todos os anúncios que me levam a querer me encaixar na checklist, mas a verdade é que eu não conheço ninguém que não queira.
A verdade verdadeira é que eu não me incomodaria nada de ter nascido Mélanie Laurent. 

Sessão #01: SERÁ QUE É MUITO CEDO?

Aproveitando a onda, resolvi criar um perfil no Twitter também.

Estou pensando em mudar o nome do blog para "Nós, os Descartáveis".


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A concepção (ou uma boa desculpa)

NASCEU.

Precisei de uma redação para a aula de francês. Era para ser um anúncio de jornal me apresentando e pedindo alguma coisa em troca (bem nível básico menos um, que é o que eu banco em seis meses de aula). Os exemplos eram todos de pessoas procurando companheiros amorosos, e como eu tô solteira mas não sou desesperada (u-hum), fiquei meio de bode de continuar a toada no mesmo tom, então fiz uma coisa mais com a minha carinha, romanceando um pouco. Acontece que pensar na gente pode ser difícil, mas escrever sobre é bem pior. E mesmo romanceando acabou sendo um jeito forçado de fazer caírem algumas fichas bem gordas sobre a minha cabeça.
Idaí? E daí que terapia custa grana e até eu sentir que dá pra colocar a análise no top 5 de prioridades, a grana vai para outro campo da minha vida (tipo aulas de francês). Portanto, era bom buscar alternativas mais baratas para os meus incômodos, já que ficar incomodada vem me levando a perder amigos.
Surge, então, a ideia – queridos amigos (que restaram), vamos nos incomodar juntos. E como é para ser terapêutico, não vai rolar fingir simpatia pelas coisas com que não simpatizo, então vou que vou como sou e... Quem quiser mergulhar (ou conseguir aguentar) na empreitada, vem que vem também (no fundo sou uma menininha fofa que sempre sonhou em escrever posts rimados). Justo?



Para vocês que ficaram intrigados, um pouco de pedantismo (reparem que a coisa toda começa promissoramente em letra minúscula):



Para vocês que não são pedantes (nem têm saco para o tradutor do Google):

Olá!

Sou uma garota jovem e me chamo Amanda. Esse nome significa que eu sou amada.
Meus amigos dizem que eu sou bonita e eu me considero inteligente (mas todo mundo se considera inteligente).
Eu moro numa casa bonita no Brasil e amo a minha vida. Quer dizer: sou feliz! É por isso que eu procuro um inimigo.
Eu quero qualquer um detestável; gostaria de odiar.
Coisas de que não gosto: a falsa gentileza, o excesso de doçura, as convenções (no anúncio esqueci de fazer a ressalva: salvo as científicas), o amarelo, morangos e mocassins (esse foi fácil, hein!).
Logo, se você me oferecer um prato de morangos calçando mocassins amarelos, será meu candidato ideal.