sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

sessão #02: SHAMPOOS NOS SPOTS

Ia começar a escrever um texto sobre o fato de ter ficado órfã do meu spot preferido para sentar e bundar em São Paulo, mas daí me senti acuada. Não sei de onde surgiu todo esse desvelo (possivelmente de ter lido meus primeiros posts e lidado com a minha própria imagem, vai dizer o terapeutazinho no meu cérebro), mas rolou uma mini-vergonha de escrever "spot".
Deve ser o excesso de séries estrangeiras e músicas da iTunes americana, mas é fato que a palavra "lugar" já não sai mais tão fluentemente da minha boca (ou dedos). Parece menos eloquente, mais sem-graça, sei lá! PEDANNNNNNNTE! A amiga do shampoo (olha lá de novo - se bem que "shampoo" é um outro caso sobre o qual eu escrevo mais adiante, mas já aviso que aqui, pra mim, pedantismo é "xampú", a não ser que você seja o Millôr, que é tipo Deus e nunca pode ser criticado na minha frente) me disse uma vez que eu às vezes soo pedante. Tá na hora de eu começar a repensar as minhas amizades, talvez (brinks, Bianca, sei que no fundo você me ama). Mas é que ouvir demais aquela palavra significando exatamente o que você que dizer te leva a deixá-la escapar sem querer quando você quer dizer aquilo, ainda que ela pareça fora do contexto linguístico dela.
Fico lembrando de todos aqueles movimentos anti e a favor de estrangeirismos que a gente estuda no colégio. Uma época o must (agora foi irônico) era falar em francês com a patota, pra mostrar que você tinha dinheiro para ir para a França e acompanhar as tendências do momento. [Cai o primeiro post como uma bigorna na minha cabeça. Tenho que me defender; estou aprendendo francês porque curto falar e quanto mais eu conseguir facilitar a minha comunicabilidade melhor - para mim, pelo menos]. O paralelo é inevitável. Será que eu sou uma garota tentando ser cool? Mas eu nem uso fones de ouvido gigantes na rua e meu corte de cabelo está londe ser mudérrrrno [hoje estou caótica; não tenho nada contra os fones grandes quando eles servem para trazer à tona o melhor do anti-social-quero-ouvir-música-não-enche-o-saco de cada um]. Depreende-se que... eu quero ser néo-cool?
Todo mundo quer ser aceito, e se encaixar de algum jeito, ainda que eu creia que meu encaixe, por princípio, está no desencaixe, mas eu não sinto que as palavras em outras línguas que eu boto sem querer no meio das frases sejam eu querendo ser menos Bleeker – ou mais, não sei se o Bleeker tá em alta agora. Também nunca me achei uma pessoa com pouco vocabulário. É isso mesmo; só me parece que as palavras às vezes soam mais eloquentes em outra língua, mais ou menos como a diferença de quando você está muito puto e grita "cocô", ou muito puto e grita "merda". "Merda" tem direito até a exclamação. Eu não vou sair gritando "shit", porque "merda"já cumpre muito bem essa função, mas na hora de falar "spot"... talvez eu seja uma colonizada cultural.
Ainda assim, o "spot" não é para mim só um ponto da cidade, muito menos um lugar. Parece que "lugar" é muito vago e "ponto" específico demais. O "spot" é o meu ponto, aquele gostosinho, que vem substantivado com todo o carinho que eu tenho por ele. Ou pelo menos era, porque agora que o garoto do sanduíche [ó eu sendo incoerente com o meu "shampoo"] com quadrinhos tomou as rédeas [do meu banco], vou ter que me contentar com outro "ponto" qualquer.

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