quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

sessão #01, parte 02: TEXTO DE MENINA


Não sei muito bem o que quero da vida. Estou sem emprego e meio de saco cheio da faculdade, não tenho namorado, não tenho peguete, não tenho nem um crush. A parte do sem emprego já leva a um subentendido, mas como por enquanto ninguém lê meu blog, vou ampliar minha expectativa de público e deixar as coisas mais mastigadinhas: não tenho muita grana também. 
Ok, acho que já cumpri, nos interesses da sociedade Ocidental capitalista, todos os itens da checklist que me levam à categoria "loser".
[Antes que alguém se irrite com o mar de lágrimas, quero lembrar que isso aqui continua sendo um substituto da terapia para mim.]
O que realmente me incomoda, o que não consigo espantar dos meus pensamentos obsessivos, contudo, é o frizz. Eu não posso com frizz. Fico vendo aqueles filmes franceses, umas fotos de moda, e as francesas se dão bem com ele. No meu imaginário, francesas são aquelas que saem de casa com um pra um de fiozinhos desgrenhados e um grande "i don't care" na testa –só que em francês – e continuam lindas.
Meu problema com o frizz, em suma, é que eu não deveria ter problemas com o frizz. Na verdade, o frizz sempre foi uma grande lenda para mim, até que uma amiga me disse que eu tinha que começar a ler as embalagens dos shampoos que comprava quando ia à farmácia (possivelmente um jeitinho educado de dizer que meu cabelo estava um cocôzinho).
Desde então, cheguei à conclusão de que o frizz é o grande mal do mundo capitalista. Ou melhor, a aversão a ele. 
Pensando como o terapeuta com quem eu não estaria falando sobre isso, uma vez que a hidratação viria antes da terapia no meu top 5 needs (sou vazia e superficial), eu diria que estou com um sério problema de imagem, que pode muito bem estar agregado às questões enumeradas antes do frizz. 
Mas daí fico pensando (e então começa o problema...). Se eu que sempre fui moleque de tudo cheguei nesse ponto, que se diz do resto do mundo? O problema não é o frizz, nem o emprego, nem a ausência do crush. O problema é a checklist. Eu odeio a checklist, odeio todos os anúncios que me levam a querer me encaixar na checklist, mas a verdade é que eu não conheço ninguém que não queira.
A verdade verdadeira é que eu não me incomodaria nada de ter nascido Mélanie Laurent. 

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